FOM Palmas - Foto: Alexandre Lorenzetto

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DA PRÉ-HISTÓRIA AO DESTINO TRÁGICO


A araucária angustifólia é uma das espécies mais antigas da flora brasileira, e sua origem data de cerca de 250 milhões de anos! Atravessou diversos períodos geológicos, foi submetida às mais drásticas mudanças climáticas, conviveu com extinções de outros seres... mas em apenas algumas décadas tornou-se uma espécie fadada a desaparecer por obra dos machados, motosserras e queimadas. A qualidade da madeira, leve e sem falhas, fez com que a araucária fosse intensamente explorada, principalmente a partir do início do século XX. Calcula-se que entre 1930 e 1990, cerca de 100 milhões de pinheiros tenham sido derrubados. Nas décadas de 1950 e 1960, a madeira de araucária figurou no topo da lista das exportações brasileiras.

Foto: Zig Koch - Pinheiro Atualmente a Floresta com Araucárias está à beira da extinção. Menos de 1% da sua área guarda as características da floresta primitiva. Já os remanescentes secundários e descontínuos somam somente 14,6%. Esta situação é cotidianamente agravada pela exploração ilegal da madeira e pela conversão da floresta em áreas agrícolas e reflorestamentos de espécies exóticas como o Pinus, aumentando ainda mais o isolamento dos remanescentes. A mesma pressão é exercida sobre os campos naturais associados à Floresta Ombrófila Mista, agravando ainda mais a situação desse ecossistema.

Ao longo da história, nem mesmo toda a beleza cênica e riqueza biológica, a importância econômica de espécies como a araucária, a imbuia, a canela sassafrás e a erva mate - ou o alerta de cientistas e ambientalistas feitos a partir de 1930 - foram suficientes para que as autoridades brasileiras e a sociedade adotassem medidas efetivas de proteção da Floresta com Araucárias. Somente cerca de 0,2% da área original do ecossistema está protegido em Unidades de Conservação federais, estaduais, municipais e particulares. Esta área é insuficiente para garantir a conservação da grande biodiversidade ainda existente.

Caso medidas imediatas não sejam tomadas, a Floresta com Araucárias e os campos naturais associados a ela poderão entrar numa situação irrecuperável.

ANO
FLORESTA COM ARAUCÁRIA
(ha)
REMANESCENTE
(%)
ÁREA DO ESTADO
(%)
1890
7.378.000
100,0
36,9
1930
3.958.000
  53,6
19,8
1937
3.455.400
  46,8
17,3
1950
2.522.400
  34,2
12,6
1955
2.203.200
  29,9
11,0
1960
2.043.200
  27,7
10,2
1965
1.567.700
  21,6
  8,0
    Fonte: Maack (1968)

Estudos realizados em 2000 mostram um quadro alarmante tanto para as florestas quanto para os campos naturais no Paraná:

FLORESTA COM ARAUCÁRIA

ESTÁGIO DE REGENERAÇÃO
ÁREA EM ha
% do ECOSSISTEMA
Inicial
1.164.425
14,04
Médio
1.200.168
14,47
Avançado
    66.109
 0,80
   Fonte: Fupef. Probio Araucária. Curitiba. 2000.

CAMPOS NATURAIS

ESTÁGIO DE REGENERAÇÃO
ÁREA EM ha
% do ECOSSISTEMA
Inicial
140.392
4,26
Médio
 34.057
2,55
Avançado
  7.888
0,24
   Fonte: Fupef. Probio Araucária. Curitiba. 2000.